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Bigu e Clotilde – O cachorro novo

Era uma linda tarde de domingo.

Preguiçosa.

Casa vazia.

A tranquilidade voltava a reinar.

Voltava porque dias atrás Bigu e Clotilde estavam em pânico por causa do fogos de artifícios que teimavam estourar no céu para, significando a entrada de um novo ano.

Eles dormiam no fundo da casa. Num sono tão profundo que não ouviram o barulho do portão abrindo, carro entrando, portão fechando.

Somente quando os humanos foram abrir a porta da casa que Bigu ouviu algo e acordou.

Discreto, foi aparecendo lentamente com a cabeça no corredor que levava até a porta da casa.

Lentamente, porque, apesar do latido alto e grave, ele era muito medroso.

Como não viu ninguém no corredor resolveu caminhar até a porta da cozinha. Lá, olhou rapidamente e viu que era sua família que havia entrado em casa.

Porém, ao invés de entrar e ficar pulando e lambendo todos, ele viu algo que deixou meio preocupado.

Parou e ficou olhando para aquilo, tentando entender o que era.

Isabela olhou e viu que o Bigu estava ali.

Ela abriu um sorriso e caminhou em sua direção.

Bigu percebeu e saiu correndo para o fundo da casa.

– Clotilde, Clotilde, acorda!!!

Clotilde acorda assustada.

– O que foi, Bigu? Pra que me acordar desse jeito?

– É que nossos donos chegaram.

– Jura! Então vamos lá lamber eles – disse Clotilde, empolgada.

Clotilde ameaçou correr, porém Bigu entrou na frente, impedindo seu avanço.

– Ai, o que foi dessa vez, Bigu?

– É que tem uma coisa meio estranha lá dentro.

Clotilde ficou curiosa:

– Que coisa estranha?

– Tem um cachorro lá. Quer dizer, acho que é um cachorro… Num sei direito.

– Como assim, Bigu? Você é um cachorro. O mínimo que você tem que saber é o que é um cachorro… Você cheirou o rabo dele?

– Eu não. Não tive nem coragem de chegar perto.

– Ué, por que não?

Bigu começa a explicar:

– Por que esse cachorro é diferente. Quero dizer, ele anda igual cachorro, mas parece um humano filhote.

Clotilde fica confusa:

– Um humano filhote?

– Sim, até com os outro humanos ele fala. Igual a Isabela fala com a gente.

– Que estranho – disse a Clotilde, que continuou a falar quando viu a Isabela chegando no fundo.

Isabela chega no fundo para matar a saudade que estava dos seus cachorrinhos.

– Clotildeeeee, Biguuuuu, que saudade que eu estava de vocês!

Ela se ajoelhou no chão esperando que os cachorros viessem de encontro ao seu abraço.

Eles, por estarem há alguns dias sem ver Isabela, esqueceram do que falavam e foram fazer a maior festa.

Carinhos, daqui. Lambidas dali. Beijinhos de acolá.

Isabela se vira para o Bigu e pergunta:

– Bigu, por que você saiu correndo quando eu te vi?

Bigu fica quieto.

Clotilde resolve defender seu amigo.

– Por que vocês trouxeram outro cachorro para casa e não vai dar mais atenção para nós.

Isabela fica espantada:

– Outro cachorro? Que outro cachorro, Clotilde, tá doida?

Bigu toma coragem para falar:

– Ela não tá doida não.  Eu vi com esses meus olhos. Só não cherei com esse focinho.

Isabela não entende nada:

– Vocês perderam o juízo é? Que outro cachorro o que? Não tem mais nenhum cachorro aqui. Só vocês dois.

Bigu diz:

– Então…  que bicho que era aquele que estava andando igual cachorro lá na cozinha?

Isabela fica pensativa.

Nesse instante, Bigu olha para o corredor e vê alguém vindo na direção deles, andando igual cachorro.

– Ali, ali, ali – grita Bigu – Falei que é um cachorro estranho.

E sai correndo para se esconder.

Clotilde vai olhar. Acho tudo muito estranho e se esconde atrás da Isabela.

Isabela olha para o corredor, vê o que estava assustando os cachorros e cai na gargalhada.

– Ô seus malucos, aquilo não é um cachorro não. É o meu irmão Bernardo.

Bigu saiu do seu esconderijo.

– Seu irmão? E por que ele anda igual cachorro?

Bernado, que acabara de chegar no fundo, falou:

– É que eu fiz dodói nos meus dois pés.

Os cachorros olham para Isabela, querendo uma explicação.

Isabela explica:

– É que ele estava descalço e pisou num lugar muito quente. Aí ele queimou os dois pés. O papai e a mamãe levaram ele no hospital. O médico colocou um curativo e falou que ele ia ter que ficar um tempo sem poder pisar no chão. Por isso que ele está andando assim.

Bigu e Clotilde respiraram aliviados.

Bernardo diz:

– Isso, e eu vim aqui no fundo para brincar com vocês.

Ao ouvir a palavra “brincar” Bigu ficou todo empolgado. Já saiu correndo, pegou sua bolinha e deu pro Bernardo jogar.

– Você joga bolinha para mim?

– Claro que jogo.

Bernardo jogou a bolinha.

Bigu começou a correr, mas parou no meio do caminho. Voltou e começou a olhar para o Bernardo.

– Ué, por que você não pegou a bolinha, Bigu? – disse Bernado?

– E por que você está olhando desse jeito para o Bigu? – disse Isabela?

Bigu cheira o Bernardo e diz:

– Você também entende o que a gente fala?

Bernardo para pensar e diz:

– Acho que sim.

Isabela fica muito feliz:

– Eba que legal! Finalmente alguém vai me entender como esses dois cachorros são tão maluquinhos.

E os quatro caíram na risada.

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